The Relic: First Guardian impressiona, mas ambição vira armadilha no novo soulslike
O estúdio Project Cloud Games prometeu um mundo aberto com 80 chefes únicos. No papel, parece incrível. Na prática, The Relic: First Guardian mostra que quantidade nem sempre significa qualidade, e os jogadores brasileiros já estão sentindo isso.

Chefes são o coração de qualquer soulslike
Quem joga RPG de ação com elementos de soulslike sabe: o que realmente define a experiência são as batalhas contra chefes. Não importa se o mapa é bonito, se a trilha sonora é épica ou se a história é profunda, são os grandes confrontos que ficam na memória. É neles que testamos nossas habilidades, aprendemos padrões e sentimos aquela sensação de superação que só esse gênero proporciona.
Foi com esse pensamento que o estúdio coreano Project Cloud Games desenvolveu The Relic: First Guardian. A proposta era ambiciosa: um mundo aberto extenso e nada menos que oitenta chefes únicos espalhados por ele. Para qualquer fã de soulslike, isso soa como um sonho. Mas será que a quantidade realmente se traduz em qualidade? Infelizmente, a resposta é não, e o jogo acaba tropeçando justamente naquilo que tentou usar como seu maior trunfo.
Um mundo quebrado e um despertar divino
A história de The Relic: First Guardian nos coloca em um mundo devastado. A primeira Relíquia, um artefato sagrado de poder imenso, foi destruída, e disso surgiu uma energia maligna chamada Vazio. Essa força corrompe tudo o que toca, transformando pessoas comuns em criaturas monstruosas conhecidas como Brutais. O cenário apocalíptico serve de pano de fundo para a jornada do protagonista, que é despertado de um sono eterno pela feiticeira Elisa.
O personagem principal é o primeiro guardião, uma entidade com poderes quase divinos. Ele acorda com a missão de conter o Vazio e restaurar a ordem no mundo. Essa premissa, embora não seja exatamente original, funciona bem o suficiente para dar sentido à exploração. O problema é que o jogo parece querer abraçar o mundo inteiro de uma vez, e a narrativa se perde em meio a tantas mecânicas e possibilidades.
Oitenta razões para se preocupar
O grande chamariz de The Relic: First Guardian é a promessa de oitenta chefes únicos. Para efeito de comparação, Elden Ring, que é um dos maiores jogos já feitos, tem cerca de trinta chefes principais e alguns opcionais. A diferença é que cada confronto em Elden Ring é memorável, com padrões de ataque bem definidos e uma sensação de desafio justo. Já no jogo da Project Cloud Games, essa quantidade absurda de chefes acaba diluindo a qualidade geral.
Muitos dos chefes parecem variações uns dos outros, com pouquíssimas mudanças de comportamento ou visual. O que deveria ser um diferencial vira um problema: em vez de empolgação ao encontrar um novo inimigo, o que sentimos é cansaço. A sensação é de que a equipe de desenvolvimento priorizou a quantidade para impressionar, deixando de lado o polimento necessário em cada batalha. Para o jogador brasileiro, que muitas vezes paga um preço alto por esses jogos, essa frustração é ainda mais difícil de engolir.
Onde o jogo acerta e o que pode melhorar
Apesar dos problemas, The Relic: First Guardian não é um desastre completo. A ambientação tem personalidade, e a ideia de um mundo corrompido pelo Vazio é visualmente interessante. O combate básico tem uma fluidez razoável, e quem gosta de desafios pode encontrar alguma diversão em dominar os movimentos do guardião. Os gráficos, embora não sejam impressionantes para os padrões atuais, cumprem bem o papel de transmitir a atmosfera sombria.
No entanto, para um gênero tão competitivo como o dos soulslike, o jogo precisa de algo a mais. A comunidade brasileira, que é uma das mais apaixonadas do mundo quando o assunto é desafio, não costuma perdoar títulos que prometem demais e entregam de menos. Em um país onde o preço dos jogos é um fator determinante, a expectativa de qualidade é ainda maior. E é exatamente aí que The Relic: First Guardian tropeça.
O estúdio Project Cloud Games mostrou potencial e uma ideia ambiciosa, mas falta execução para que o título se torne um nome de peso no gênero. Para quem quer testar algo novo e não se importa em enfrentar chefes repetitivos, pode valer uma olhada quando estiver em promoção. Para os puristas que buscam uma experiência refinada no nível de FromSoftware, é melhor esperar por algo mais consistente. The Relic: First Guardian fica como um lembrete de que, em jogos, às vezes menos é mais.
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