AMD vê receita com games despencar 31%, mas IA garante lucro recorde à empresa
A divisão de jogos da AMD amargou queda de 31% na receita no segundo trimestre de 2026, mas o lucro total bateu recorde. O motivo? Inteligência artificial. Entenda o que isso significa para o futuro dos games.

A AMD divulgou seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 e o balanço apresenta uma realidade cada vez mais clara: games deixaram de ser prioridade. Enquanto a receita com jogos despencou 31% em relação ao mesmo período do ano anterior, o faturamento total da empresa atingiu US$ 11,5 bilhões, uma alta de 51% impulsionada quase que inteiramente pela inteligência artificial. O segmento de data center sozinho gerou US$ 6,7 bilhões, um salto de 107% ano a ano, deixando claro que o futuro da companhia está muito mais ligado aos servidores de IA do que aos consoles e GPUs que os gamers conhecem.
Games em segundo plano
O recuo no setor de jogos foi brusco. A receita da divisão de gaming caiu de US$ 1,1 bilhão para US$ 779 milhões no trimestre, fazendo com que os games representassem apenas 6% do faturamento total da empresa. A própria AMD justifica o tombo pela chamada "receita semi-custom" mais baixa, um termo técnico que na prática significa menos consoles vendidos no período. Vale lembrar que o trimestre incluiu o lançamento do Steam Machine e da placa Radeon RX 9070 GRE em junho de 2026, mas nem esses produtos conseguiram evitar a queda.
Esse cenário é particularmente relevante para o jogador brasileiro, que já lida com preços elevados de hardware. Com a AMD concentrando esforços em IA e data centers, é natural que a atenção dada ao desenvolvimento de GPUs para desktops diminua. A divisão interna que cuida dos resultados de gaming, agora agrupada na categoria Client and Gaming, até apresentou crescimento de 6% no geral, alcançando US$ 3,8 bilhões, mas esse avanço veio dos processadores para laptops acessíveis, não das placas de vídeo dedicadas.
A IA como motor do crescimento
Enquanto o setor de games estagna, a inteligência artificial virou a grande mina de ouro da AMD. O segmento de data center cresceu 107% no comparativo anual, praticamente dobrando a receita e sustentando o melhor balanço financeiro da história da empresa. Esse movimento não é exclusivo da AMD, a Nvidia já vive há anos essa transição, mas reforça uma tendência que preocupa a comunidade gamer: as fabricantes estão priorizando cada vez mais o mercado corporativo em vez do consumidor final.
O impacto prático dessa mudança de prioridades já pode ser sentido no bolso do consumidor brasileiro. Tanto a AMD quanto a Nvidia anunciaram planos de aumentar os preços das GPUs nos próximos meses. Some-se a isso o recente aumento oficial de preço do Xbox Series X e o cenário fica ainda mais desafiador. O hardware para games segue em uma trajetória de encarecimento justamente quando as fabricantes mostram menos interesse em agradar o público que joga.
O que esperar dos próximos trimestres
A perspectiva para o futuro imediato não é animadora para quem espera uma virada de chave. Os analistas indicam que a AMD deve continuar canalizando recursos para o setor de IA, que é muito mais lucrativo. A receita com consoles e GPUs, por outro lado, tende a continuar pressionada, especialmente com o ciclo de vida avançado do PlayStation 5 e do Xbox Series X, que naturalmente reduz o volume de vendas.
Para o gamer brasileiro, resta acompanhar de perto os movimentos da empresa e torcer para que o segmento de games não seja completamente deixado de lado. O lançamento da RX 9070 GRE mostrou que a AMD ainda tem interesse em oferecer placas competitivas, mas a falta de prioridade no orçamento da companhia pode significar ciclos de lançamento mais espaçados e menos investimento em tecnologias exclusivas para jogos.
O relatório financeiro é um alerta: a AMD está lucrando mais do que nunca, mas o dinheiro que vem dos games é cada vez menor. Cabe ao consumidor observar como essa mudança estrutural vai impactar a oferta de produtos e preços no Brasil, um dos mercados mais sensíveis a variações cambiais e custos de importação. Por enquanto, a máxima continua valendo: no mundo dos games, quem se adapta sobrevive.
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